Brasil adota nova política industrial com metas e ações para o desenvolvimento até 2033

05/03/2026 às 20:11
 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Desenvolvimento sustentável é o cerne da Nova Indústria Brasil, que destinará R$ 300 bilhões em financiamentos até 2026.

Em um passo decisivo em direção à neoindustrialização, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) apresentou, após amplo diálogo entre o governo e o setor produtivo, a Nova Indústria Brasil (NIB). Entregue nesta segunda-feira (22) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esta nova política industrial visa impulsionar o desenvolvimento nacional até 2033, com ênfase em sustentabilidade e inovação.

A NIB concentra-se em estimular o desenvolvimento produtivo e tecnológico, fortalecer a competitividade da indústria brasileira, guiar investimentos, promover empregos de qualidade e impulsionar a presença qualificada do país no mercado internacional.

O plano destina R$ 300 bilhões, parte do Plano Mais Produção, para financiar ações de neoindustrialização até 2026. Projetos inovadores contarão com linhas de crédito com taxas TR+2% ao ano. Decretos referentes às compras públicas delineiam especificações para aquisição ou concessão de margens de preferência a produtos nacionais.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) destaca a utilização responsável de recursos públicos para atrair investimentos privados e reverter a desindustrialização precoce do país. A política incorpora diversos instrumentos estatais, incluindo linhas de crédito especiais, fundos não reembolsáveis, ações regulatórias e de propriedade intelectual, além de uma política para obras públicas e compras, com incentivos ao conteúdo local.

A nova política também introduz novos instrumentos de captação, como a Linha de Crédito de Desenvolvimento (LCD), e um arcabouço de novas políticas, como o mercado regulado de carbono e a taxonomia verde, para enfrentar o cenário global de transformação ecológica e domínio tecnológico.

Junto com a política, o CNDI apresenta o plano de ação para o período de 2024-2026, delineando áreas estratégicas prioritárias para alocação de recursos nos próximos dois anos.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, considera este momento histórico, refletindo o compromisso do governo com a construção de um país competitivo, inovador e na vanguarda da transformação ecológica. Alckmin destaca: “A nova política coloca a inovação e a sustentabilidade no centro do desenvolvimento econômico, estimulando a pesquisa e a tecnologia nos mais diversos segmentos, com responsabilidade social e ambiental.”

Ao longo do processo de construção da nova política industrial, diversas medidas foram lançadas no escopo da Nova Indústria Brasil, como o programa Brasil Mais Produtivo e o Mais Inovação Brasil, ambos destinados a financiar a transformação digital e a inovação na indústria brasileira.

A Nova Indústria Brasil 

No sentido de reverter a desindustrialização precoce e promover avanços no desenvolvimento do país, a Nova Indústria Brasil estabelece metas aspiracionais para cada uma das seis missões que guiarão os esforços até 2033. O Plano de Ação 2024-2026 sugere essas metas, que serão avaliadas pelo CNDI nos próximos 90 dias. A política delineia áreas prioritárias para investimentos e propõe ações envolvendo esforços de todos os ministérios membros do CNDI e do setor produtivo nacional.

Para atingir essas metas, a NIB aborda missões críticas relacionadas à segurança, saúde, bem-estar urbano, transformação digital, bioeconomia, descarbonização e defesa. Metas notáveis incluem mecanizar 70% dos estabelecimentos de agricultura familiar, aumentar a produção nacional de produtos relacionados à saúde para 70%, reduzir o tempo de deslocamento em 20%, digitalizar 90% das empresas industriais brasileiras e alcançar 50% de participação de biocombustíveis na matriz energética de transportes.

Neoindustrialização e Compras Públicas

Os R$ 300 bilhões disponíveis para financiamento até 2026 serão geridos por BNDES, Finep e Embrapii, distribuídos por meio de linhas específicas reembolsáveis ou não reembolsáveis, e canalizados por meio de recursos do mercado de capitais, alinhados aos objetivos e prioridades das missões para promover a neoindustrialização nacional.

Esses recursos fazem parte do Plano Mais Produção, um conjunto de soluções financeiras para viabilizar o financiamento da política industrial de forma contínua nos próximos três anos.

A NIB utiliza o potencial das compras públicas para estimular setores estratégicos para a indústria brasileira. O presidente Lula assinou dois decretos que abrem caminho para essa estratégia. O primeiro define áreas sujeitas a exigências ou margens de preferência para produtos nacionais nas licitações do Novo PAC, com foco em transição energética, economia de baixo carbono e mobilidade urbana.

O segundo decreto cria a Comissão Interministerial de Compras Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (CICS) e define critérios para a aplicação de margens de preferência para produtos nacionais e bens reciclados, recicláveis ou biodegradáveis.

Impactos na Mobilidade Sustentável: 

Dentro do pacote de medidas, destacam-se ações específicas voltadas para a mobilidade sustentável, refletindo o compromisso do governo em enfrentar os desafios ambientais e promover tecnologias inovadoras.

    • Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays (PADIS): Com um aporte significativo, o governo busca impulsionar a produção nacional de semicondutores, peça-chave para o avanço tecnológico e essencial para a fabricação de componentes eletrônicos, incluindo veículos elétricos.
    • Ampliação das Exigências de Sustentabilidade para Automóveis: O programa destinará R$ 19,3 bilhões para a ampliação das exigências de sustentabilidade na indústria automotiva. Essa medida não apenas impulsionará a produção de veículos menos poluentes, mas também incentivará a pesquisa de novas tecnologias de mobilidade.
    • Aumento da Mistura de Etanol à Gasolina: Como parte da estratégia para uma matriz de transportes mais limpa, o governo propõe elevar a mistura de etanol à gasolina de 27,5% para 30%. Essa medida visa não apenas incentivar a produção de biocombustíveis, mas também reduzir as emissões de gases poluentes.

Para conhecer mais sobre as metas e ações da Nova Indústria Brasil (NIB), acesse aqui.

Tópicos

Últimas notícias

BYD negocia a compra de mineradora com maior reserva lítio do Brasil

BYD negocia a compra de mineradora com maior reserva lítio do Brasil

Possível aquisição da Sigma Lithium está avaliada em aproximadamente US$ 2,9 bilhões de dólares ( R$ 14 bilhões) A fabricante chinesa de veículos elétricos BYD está em avançadas negociações para adquirir a Sigma Lithium, maior mineradora de lítio do Brasil, de acordo...

Empresa brasileira lança primeiro caminhão elétrico pesado do Brasil

Empresa brasileira lança primeiro caminhão elétrico pesado do Brasil

Denominado Atlas, caminhão é o primeiro com tração de 120 Toneladas fabricado no país. VIX Logística, empresa do Grupo Águia Branca especializada em soluções logísticas, apresenta o Atlas, seu mais recente lançamento. Este caminhão elétrico, capaz de tracionar até 120...

Tópicos

#ABRAVEI#ABVE#AcordodeParis#AliançaBike#ANEEL#Anuário#AutomotiveBusiness#BancoMundial#Baterias#Biblioteca#bicicletaseletricas#biclicletaseletricas#Brasília#BrazilHub#C40#Capacitaçãoprofissional#Carroselétricos#CCT#ciclologística#cidades#Clima#ClimaInfo#Clipping#CO2#combustão#combustíveisfósseis#conectatalks#COP21#COP26#COVID-19#CPFL#CPqD#CSCM#descarbonização#Electricmobility#Eletromobilidade#emissões#Estadão#FIEC#Forbes#Formaçãoprofissional#Fortaleza#Fundep#GEE#GIZ#GTProfissionais#GuiaEletromobilidade#Híbridos#IBMS#IEA#Infraestruturaderecarga#Inovação#Leve#Logísticareversa#MDR#mídia#mobilidade#mobilidadeativa#mobilidadeeletrica#mobilidadeurbana#Modelosdenegócio#Moura#NDC#ônibus#Ônibuselétricos#P&D#Pesquisa#PNME#PNMU#poluição#Pós-graduação#PROMOBE#publicação#SãoPaulo#Segundavida#SENAI#SENAI-PR#smartcities#SummitMobilidade#sustentabilidade#Terra#transporte#transportes#UFSM#Unicamp#WB#Webinário#WRI#YahooAmérica LatinaaneelAnnual ReportapexAudiautomobilismoBarassa&Cruzbateriabateriasbelo horizontebicicletabicicleta elétricabicicletas elétricasBike RioBMWBNDESBrasíliaBRAZILIAN EV OUTLOOK 2020caminhão elétricocampinascapacitação profissionalcarro elétricocarro híbridocepalchamada públicaciclismociclistaciênciaciência e tecnologiacompartilhamentoconectividadeconferenciaConferência PNMEconselho gestorcopelcoronaviruscorreioscovid-19CSCMcursocurso onlinedhle-bikeE-BUS RADARe-mobilityeBikeseBuseconomiaeditaleficiência energéticaelectric bicycleselectric mobilityelectric scooterseletrificação veiculareletromobilidadeeletropostosemissõesempregosenergia renovávelenergia solarensino superiorentregaentregasEstadãoEstratégia Nacional de Mobilidade ElétricaestudoEstudos e publicaçõesEUAeventofernando de noronhaformula EfrankfurtfundepGestão EstratégicaGIZGMgovernançaGT Profissionaisguiaindústriainfraestruturainovaçãokick-scootersLABMOBLAVlevíssimoslogísticamarketmeio ambientemercadoMGmicromobilidademinas geraismobilidade de baixa emissãomobilidade elétricmobilidade elétricamobilidade sustentávelmobilidade urbanamobilidadeelétricamobilidadeurbanamoblidade urbanamoto elétricamudança climáticaniteróinormas e regulamentosnoruegaônibusônibus elétricoÔnibus elétricosparáParanápatinete elétricopesquisaplano de eletromobilidadepnmepolíticas públicaspoluiçãopós-graduaçãopostos de carregamentopraia grandeprevençãoprocobrepromob-epromobe-recargarevista eletrônicario de janeiroriseRJroadmaprota 2030salão de automóveisSalão do AutomóvelSanta Catarinasão paulosaúdescooter elétricaseminárioserviços de entregasetor privadosharing systemsSPSummitMobilidade2021Tembicitransporte coletivotransporte públicotumitumivoltunião europeiaUnicampveículo elétricoveículo híbridoveículo levíssimoveículo pesadoveículos levesvendasVolkswagenwebinarworkshopYouTubezero emissions